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Grande maioria das crianças prematuras não completa um ano de avaliação oftalmológica

31/10/2007 - Após levantamento realizado entre as crianças prematuras atendidas no Hospital de Olhos Sadalla Amin Ghanem entre 1996 e 2007, observamos que existe uma descontinuidade no retorno dos prematuros ao oftalmologista, e isso acontece logo depois da alta hospitalar. Sabemos que existem casos de óbito e mudança de cidade após a alta mas, certamente, estas não devem ser as causas de 50% do não comparecimento ao consultório oftalmológico após a alta.

Sintomas da Retinopatia da Prematuridade (ROP) não são percebidos pelos pais
Os olhos do bebê prematuro que está desenvolvendo a ROP aparentemente são normais. Não existem sinais externos, pois o problema ocorre na retina, dentro do olho. Existe uma necessidade de maior entendimento sobre a gravidade do risco, mesmo dos profissionais das áreas afins. Em nossa cidade, graças a um colega pediatra atento ao problema da ROP, tivemos o encaminhamento, num mesmo dia, de dois casos de prematuros que estavam descontinuando o programa. Estes bebês já estavam com três meses de idade sem nenhum acompanhamento oftalmológico após a alta. Um deles felizmente estava bem, mas o outro estava com DR (descolamento da retina completo) num olho e no outro olho Estádio 4 (descolamento parcial da retina). Foi realizada a cirurgia de retina no olho com Estádio 4 e hoje o bebê está estimulando a visão no Setor de Visão Subnormal, progredindo no seu desenvolvimento.

O compromisso com a continuidade dos cuidados após a alta obedece quatro setores. Primeiro: orientação na hora da alta (serviço de neonatologia e assistência social da maternidade ou hospital. Segundo: pais conscientes da delicadeza da vida prematura e informados sobre o risco da Retinopatia da Prematuridade. Terceiro: conscientização de toda a rede que recebe o prematuro (pediatras, neuropediatras, residentes, enfermeiros, fisioterapeutas, serviços de saúde familiar e serviço social da maternidade) sobre a necessidade do cumprimento dos retornos. Quarto: a comunidade organizada para prover a sustentabilidade de um programa efetivo.

A maioria dos prematuros não desenvolve a retinopatia mas corre o risco de ter baixo desenvolvimento visual por outras causas como: erros refracionais (grau), estrabismo e injúrias do sistema nervoso central (por problemas que envolveram os riscos de sobrevida).

O que nos preocupa é a constatação de que a grande maioria das crianças prematuras acompanhadas em nosso serviço não completou um ano de avaliação. Existem casos em início de tratamento que não voltaram ao consultório. Trabalhei na rede púbica por dois anos e meio e cadastrei apenas onze prematuros, onde estão os outros?

Em Joinville, o primeiro passo foi dado. Hoje sabemos que a ROP acontece dentro das nossas UTIs neonatais. O segundo passo também já foi dado, temos médicos oftalmologistas avaliando os bebês dentro das maternidades. A nossa necessidade agora é despertar a responsabilidade do retorno nos pais e profissionais que cuidam da criança após a alta da maternidade. Também carecemos de maior número de centros capacitados para o tratamento a laser.
Atualmente temos em nossa cidade um destes centros no Hospital Dona Helena, onde também são referidos os prematuros da Maternidade Darcy Vargas. Porém ainda necessitamos de material (laser e vitreófago), profissionais habilitados para a realização destas cirurgias e local bem definido para esse tipo de intervenção, independentemente do sistema de pagamento. Assim, o tratamento poderá ser instituído após a alta.

Conscientização dos pais é fundamental
De nada adianta profissionais prontos para atender, convênios pagando a consulta e o bebê prematuro em casa. A conscientização dos pais é um ponto crucial nesta corrente. A ciência deles pode ser um forte fator de pressão para acordar os governantes nesse sentido. Muitas crianças prematuras recebem alta antes de 36 e 38 semanas de gestação e estão em casa, com o problema da ROP, sem nenhum acompanhamento. O prematuro deve fazer o exame regular durante toda a sua vida, não apenas no período do crescimento vascular (com 32 semanas de gestação termina o setor nasal e entre 43 e 46 semanas termina o crescimento da área temporal).

Os profissionais da saúde estão preocupados, não faltam estatísticas e números mostrando o problema. Há um movimento entre os oftalmologistas em todo o mundo nesse sentido. No Brasil estamos muito aquém do desejável. A ROP ainda é um filho sem pai para nosso governo e, para os pais, é um problema que mora nos olhos, mas é invisível. Temos de sair dos anos 40 (época da descrição da doença) para agir conforme o milênio em que estamos vivendo: preventivamente. A ROP é causa de cegueira tratável, desde que todos entendam como proceder.

Autor: Dra. Lígia Beatriz Bonotto

Para saber mais sobre a ROP, clique aqui


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31/10/2007 - Grande maioria das crianças prematuras não completa um ano de avaliação oftalmológica



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